@ Phase 108.1

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

web(radio)sites

já em novembro de 2006 (numa - agora extinta - página pessoal) me indignava publicamente com a disparidade da "apresentação electrónica" das rádios portuguesas. referia-me na altura ao preciso exemplo que trago aqui hoje, numa comparação para alguns desmedida e desproporcionada, admito, ainda assim razoável se partirmos do presuposto que para fazer bem feito, para além de dinheiro, há que ter talento e ambição.

no que toca ao modo como a rádio pública portuguesa e a sua congénere britânica se apresentam nos seus respectivos sítios electrónicos, há todo um mundo que as separa.



Antena 3



BBC Radio 1

estes exemplos não foram escolhidos por acaso; para criar e manter um sítio multimédia a este nível é preciso gente e dinheiro (algum - assim tanto? - dinheiro), mas se há estruturas com esse potencial são precisamente as rádios públicas.
longe de mim querer aqui comparar o orçamento da RTP com o da BBC, mas questiono-me se o dinheiro é tudo, num mundo em que o conhecimento é um valor globalizado.
não haverá na nossa estrutura de radio e televisão pública gente com imaginação e ensejo para fazer melhor e diferente? ou será que a criatividade dos nossos profissionais emperra - cronicamente - na "grande máquina"?
é falta de imaginação? de dinheiro? (tenho para mim que nem uma coisa nem outra).

trago aqui este assunto porque ontem de manhã dei por mim a “sintonizar” o programa da manhã da Radio 1 (apresentado por Chris Moyles), e eis que vejo (literalmente) uma emissão de rádio com... realização de imagem! não se trata de uma simples webcam estática e desfocada, mas de pura realização televisiva!
a presença dos três intervenientes do programa (dispostos em estúdio de forma idêntica à da rapaziada da 3 - com a curiosa diferença que o Chris Moyles apresenta o programa... em pé) está milimetricamente estudada, voz, som e imagem numa “dança” digna de um talk show (que é do que se trata, contas feitas).
confesso que ouvir/ver um "programa da manhã" desta forma foi para mim algo de completamente novo, na medida em que transporta a experiência da rádio virtual para um panorama inédito (ainda que de gosto discutível); rádio e televisão em plena (e harmónica) fusão.

sugiro que espreitem esta “nova” forma de apresentar a rádio, a webradio para ser mais preciso. e também que se passeiem pelo sítio da BBC, e facilmente perceberão que se trata de outro campeonato. e digam-me, não vos parece que o que está aqui em causa não é necessariamente a qualidade dos jogadores?

p.s. 1 - há dois anos atrás o fosso que separava estes dois sítios era muito maior do que é hoje; justiça seja feita, a página da Antena 3 está bem melhor, por comparação

p.s. 2 - aparte dos aspectos gráficos, identifico ainda dois pontos particularmente gritantes: a página da rádio pública portuguesa tem publicidade, o que considero inadmissível; na rádio inglesa há gente a trabalhar toda a santa noite (na A3, em boa parte da emissão nocturna roda a famigerada playlist)

p.s. 3 - outro exemplo: radar vs xfm

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pego ainda na deixa do último postal do Francisco Mateus, para aqui vos deixar a minha lista (incompleta, porque há mais) das audições obrigatórias na (nossa) rádio (fm) em 2008:

bons rapazes (a3)
coyote (a3)
pessoal e transmissível (tsf)
sinais (tsf)
mundo digital (tsf)
discos voadores (radar)
viriato 25 (radar)

3 comentários:

Kyriu disse...

é pah, tens razão, porque é que a rádio não é a televisão?!

viva a TV!

Viva! Viva! Viva!

...

haja paciência

Ricardo Jorge Tomé disse...

Olá,
antes de mais, parabéns pelo vosso projecto web dedicado à rádio.

Como membro da equipa web da RTP agradeço desde já o vosso feedback muito sincero, de onde igualmente retiro o salto qualitativo que foi dado.

De facto, não apenas por questões de orçamento, mas também ao nível de infraestruturas já existentes no prócprio país, a BBC tem tudo para estar na 'ponta' e serve de exemplo em muitos projectos para outras rádios, inclusive nossas.

Ao nível do vídeo, contudo, também na antena3 já vamos tendo a webcam ligada, tal como começou a BBC.

Mas reparem no total de vídeo, com edição, já disponíveis com o selo Antena3:

http://www.rtp.pt/antena3/?headline=24&visual=21&video=2

http://www.youtube.com/watch?v=3VX0aek1HtY&eurl=http://www.rtp.pt/antena3/?headline=24&visual=21&video=2

MAIS VÍDEOS AQUI:
http://www.youtube.com/view_play_list?p=ED7677289A493026


Espero que gostem.
Ricardo
RTP

P. Esteves disse...

caro Ricardo,

obrigado, antes de mais, pelo seu (esclarecedor) feedback.
realmente, ainda não tinha dado conta dos (muitos) vídeos da A3 no youtube (e porquê no youtube? infra-estruturas?).
sobre a edição de imagem (em diferido, ainda assim, justo) "já cá não está quem falou", e acredite, fico contente por isso.

mas insito, acho que a A3 (e porque não, toda a RTP) merecia um website com melhor qualidade, gráfica e funcional (eu, um utilizador apple, não consigo visualizar alguns dos vídeos que apresentou nos canais "fora" do youtube)

e insisto, também, no assunto que é o cerne do meu texto: será que o "problema" está na qualidade das infra-estruturas ou na capacidade dos profissionais da emissora pública?
receio que o ímpeto de inovar e progredir emperre nos sítios do costume.
em Portugal há excelentes webdesigners, e na RTP trabalham seguramente alguns, gente criativa e competente que esbarra nesse "problema" tão português e transversal nos sectores públicos; sabemos que há gente para fazer mais e melhor; e então não se faz PORQUÊ?!

saudações,
Pedro Esteves

p.s. - tenho consciência que não fiz a coisa por menos: comparei (ainda que de forma superficial) a RTP com a BBC, que é "só" uma das maiores, mais ricas e poderosas cadeias multimédia do mundo; mas é assim que deve ser, não acha? comparar e sobretudo aprender (beber!) com os melhores :-)