
domingo, 6 de Dezembro de 2009sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009LINHAS CRUZADAS # 09![]() JAPAN / RYUICHI SAKAMOTO Eis como nasce uma das mais frutuosas colaborações entre músicos aparentemente distantes. Londres, 1980. O agrupamento britânico Japan – liderado por David Sylvian – está em estúdio a gravar o próximo álbum, que terá por título «Gentleman Take Polaroids». No estúdio ao lado, outro agrupamento, os japoneses Yellow Magic Ochestra – liderados por Ryuichi Sakamoto – também preparam novo trabalho. A proximidade entre os estúdios promoveu o contacto directo entre os dois líderes e, quase sem aviso prévio, surge a ideia de uma colaboração. Já havia uma admiração mútua. Os Japan, numa altura de madura sofisticação pós- Glam Rock, gozavam de sucesso em terras nipónicas, enquanto que a Yellow Magic Ochestra era uma espécie de Kraftwerk à japonesa. “Taking Islands in Africa” é a última canção do alinhamento original de «Gentleman Take Polaroids», mas foi a primeira de muitas parcerias entre Sylvian e Sakamoto, ao longo de mais de 25 anos. Uma dupla que ainda hoje se mantém, e à qual voltaremos aqui futuramente. Tempo total: 06:20 Crónica originalmente publicada em Novembro de 2006 quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009Apparat no Plano BLINHAS CRUZADAS # 08![]() JOHN SURMAN Os puristas do Jazz não gostam dele. John Surman: um saxofonista inglês, multifacetado e visionário no cruzamento do Jazz moderno com a electrónica. Daí os puristas não olharem com bons olhos para o uso sistemático de sintetizadores, cruzando-os com Sax-Soprano, Barítono e Baixo Clarinete. O quadro mais completo desta falsa heresia está no álbum «Upon Reflexion». A estreia absoluta de John Surman na prestigiada etiqueta ECM. “Edges of Illusion” é a primeira peça do disco. É de 1979 e transformou-se num clássico. Trata-se de uma textura-base electrónica em overdubbing, sobre a qual Surman descreve um labirinto errante de sopros. Um cenário de apelo ao imaginário, numa viagem de dez minutos de deriva pessoal, de introspecção e de viagem. Bom viagem! DOWNLOAD Tempo total: 10:28 Crónica originalmente publicada em Outubro de 2006 Radio Covers: Turtle Island (Beach House)
How, what, why, when? .... "Turtle Island" e outras versões dos Beach House a ouvir no bitsound #118 terça-feira, 1 de Dezembro de 2009LINHAS CRUZADAS # 07![]() ![]() JIM MORRISON / FATBOY SLIM Dois homens e uma história. Um desses homens nasceu em 1963, o outro morreu oito anos mais tarde. Seria possível um encontro musical entre estes dois homens? Não e sim. Vamos à história: Jim Morrison, o carismático líder dos norte-americanos Doors morreu em 1971, como é sobejamente sabido. Causou polémica, fez obra com os Doors, deixou história e um legado que ainda hoje segue caminho. Norman Cook, inglês, membro dos extintos Housemartins, hoje com uma carreira de sucesso – a solo – com o nome de Fatboy Slim. Fatboy sempre idolatrou Morrison, e pegou na voz dos lendários Doors no tema “Bird of Pray”. Está tudo no álbum «Halfway Between The Gutter And The Stars», editado no ano 2000. A arte de samplar do senhor DJ Norman Cook ou, melhor dizendo, Fatboy Slim. Tempo total: 09:12 Crónica originalmente publicada em Setembro de 2006 segunda-feira, 30 de Novembro de 2009LINHAS CRUZADAS # 06![]() PHILIP GLASS / SUZANNE VEGA / LINDA RONSTADT O que é que a música pop-rock tem a ver com o minimalismo? Aparentemente, nada! Mas afinal pode ter tudo a ver, se juntarmos no mesmo disco David Byrne, Paul Simon, Suzanne Vega, Linda Ronstadt e Philip Glass, com o Kronos Quartet. Foi o que aconteceu em 1986. Aliás, até vamos ignorar a data deste registo. Ele poderia ter acontecido hoje mesmo, tão atravessado que está pela intemporalidade. «Songs From Liquid Days» tornou-se no trabalho de maior sucesso na importante e longa carreira do músico e compositor Philip Glass. Ele, que a par de Steve Reich e John Cage, é expoente maior da escola minimalista norte-americana do século XX. Um cruzamento pleno de estilos diferentes, sensibilidades e bom gosto, com um único objectivo de beleza pura. «Songs From Liquid Days» tem canções, e uma delas foi escrita por Suzanne Vega: “Freezing”, na voz da cantora ‘country’ Linda Ronstadt. Tempo total: 04:35 Crónica originalmente publicada em Junho de 2006
sexta-feira, 27 de Novembro de 2009LINHAS CRUZADAS # 05![]() ELLA FITZGERALD & ROCKERS HI-FI Já aqui tínhamos falado do cruzamento feliz entre vozes do passado – de artistas já desaparecidos – com músicos actuais, “casamento” esse celebrado pelo poder das novas tecnologias e de um inegável bom gosto. Este esbatimento do Tempo não ficaria bem ilustrado se não voltássemos a falar de Ella Fitzgerald. Se na primeira vez que Ella veio às «Linhas Cruzadas» da música dos séculos XX e XXI, brindando-a através dos alemães DE-PHAZZ, hoje convidamos Ella Fitzgerald a juntar-se a nós por intermédio da por ventura mais bem conseguida recuperação alguma vez efectuada com a voz desta grande diva do Swing e do Jazz cantado. São seus autores os britânicos Rockers Hi-Fi. Na dobragem do milénio, uma aventura de inegável eficácia, com a canção “Sunshine of Your Love”. O amor por Ella nunca foi tão brilhante. DOWNLOAD Tempo total: 06:49 Crónica originalmente publicada em Maio de 2006
LINHAS CRUZADAS # 04![]() ELLA FITZGERALD & DE-PHAZZ Talvez tudo tenha começado em 1991, quando Natalie Cole – filha de Nat 'King' Cole – decidiu gravar duetos com o próprio pai, apesar de ele já estar fisicamente morto desde 1965. Esta aventura técnica póstuma fez doutrina. Seguiu-se uma espécie de moda desassombrada em trazer de novo à vida vozes que já tinham desaparecido. Se nalguns casos o resultado é sofrível, noutros o efeito é francamente bom. A começar por Natalie Cole e a continuar por muitos outros. Um dos bons exemplos é o que foi feito com a grande diva do Jazz cantado e do Swing: Ella Fitzgerald, falecida em 1996 e ressuscitada musicalmente até aos dias de hoje. Artistas que nunca se conheceram, pessoas de tempos diferentes, a viverem juntas por meio das tecnologias modernas que possibilitam milagres e renovadas vidas musicais. O tema "Wait 'til You See Him" na voz de Ella Fitzgerald e a mesma canção, com a mesma voz, refeita pelos germânicos De-Phazz em 2001. Tal como escreveu Marguerite Yourcenar em «O Tempo, Esse Grande Escultor», "Não há passado nem futuro, mas apenas uma série de presentes sucessivos". DOWNLOAD Tempo total: 06:46 Crónica originalmente publicada em Abril de 2006 quinta-feira, 26 de Novembro de 2009quarta-feira, 25 de Novembro de 2009LINHAS CRUZADAS # 03![]() GRAMM É longa e bastante reconhecida a herança profunda da música electrónica proveniente da Alemanha. Principalmente por influência directa, ou menos directa, dos Kraftwerk. Um dos músicos mais recentes a assumir essa herança é Jan Jelinek, que tem dois alter-egos: FARBEN e GRAMM. É com esta identidade – GRAMM – que este músico alemão editou um álbum no ano 2000, talvez por ironia, intitulado «Personal Rock». Reside aqui uma patine melancólica em fundo. Dois tempos projectados numa mesma tela, como nos filmes de Elia Kazan: um cenário em primeiro plano, e um outro enredo a correr em fundo. De Rock não há nada neste álbum, mas sim um mosaico ultra panorâmico de electrónica pura, num retrato fiel à ascendência dos "padrinhos" Kraftwerk. Batidas dançantes e uma atmosfera nocturna a inspirar outras danças. Um cruzamento de gerações, afastadas no tempo, mas jutas no som e na atitude. «Personal Rock»: no arranque deste novo milénio, GRAMM. Alemanha, ano 2000. Tempo total: 06:25 Crónica originalmente publicada em Março de 2006 terça-feira, 24 de Novembro de 2009LINHAS CRUZADAS # 02![]() ![]() ![]() LAURIE ANDERSON, ARTO LINDSAY e STEVE REICH Este encontro do qual vos falo nunca chegou a acontecer. É fruto de um aparente acaso, no decorrer de uma emissão de Rádio. Num processo meramente técnico - a que se chama "Pré-escuta" - dois temas musicais a alinhar previamene, soaram em simultâneo nos leitores de CD. Estes dois temas pareciam ser um só, no encaixe perfeito da métrica e do 'timming'. As duas peças musicais, que no Ar deveriam ter-se sucedido uma à outra, encontraram-se fatalmente num abraço etéreo. Esta soma imprevisível de 1+1= 1 produziu no éter um momento difícil de repetir. Os protagonistas ainda hoje desconhecem o efeito desta fusão irreal... deste cruzamento de linhas díspares que se encontram num único ponto. São eles: Laurie Anderson, Arto Lindsay e Steve Reich. O tema título do álbum «Bright Red» de Laurie Anderson é um dueto falado e alternado com Arto Lindsay; a música de suporte pertence à ópera contemporânea «The Cave» de Steve Reich. Somadas as partes, temos isto: DOWNLOAD Tempo total: 05:02 Crónica originalmente publicada em Fevereiro de 2006 segunda-feira, 23 de Novembro de 2009LINHAS CRUZADAS # 01![]() BRIAN ENO
Do primeiro ao último: Brian Peter George Saint Baptiste de la Salle Eno Membro fundador dos Roxy Music, onde foi teclista nos primeiros anos da banda de Brian Ferry. Não levou muito tempo até se estrear a solo, com o álbum «Here Come The Warm Jets» de 1973, do qual se inclui a canção “On Some Faraway Beach”. Mas Brian Eno não é o que é hoje por ser um cantor. Ele é um músico do silêncio, um pintor de sons. Tudo começou numa manhã de 1975. Brian estava de cama, após ter sido atropelado. Um amigo deixou-lhe um disco de música de Harpa do século 18. Não foi fácil para o paciente colocar o disco a tocar, e, depois de voltar para a cama, deu-se conta que o volume estava muito baixo. Limitado nos movimentos, Brian deixou-se ficar deitado, a usufruir daquela música que – quase sem se ouvir – misturava-se com outros ruídos ambiente. A experiência levou-o a construir uma vasta obra com trabalhos instrumentais, colaborando com outros mestres do silêncio: Harold Budd, Daniel Lanois ou o irmão Roger. É com canções que Brian Eno balizou os últimos 32 anos [1973 – 2006] de carreira. O próximo mês de Fevereiro [2006] trará novo registo gravado, mas até lá, o mais recente ainda é «Another Day on Earth», editado em 2005. Um hino ao futuro! Crónica originalmente publicada em Janeiro de 2006 DOWNLOAD Tempo total: 10:32 domingo, 22 de Novembro de 2009LINHAS CRUZADAS - 30 edições
Em Janeiro do próximo ano de 2010 completam-se quatro anos da minha actividade em podcast. Começou com a crónica mensal «Linhas Cruzadas» incluída no programa de Rádio* /podcast «lado B» de Pedro Esteves, onde se manteve até Janeiro deste ano. Desde então, «Linhas Cruzadas» seguiram caminho próprio e em exclusivo no formato podcast com publicação na «Rádio Crítica».
Agora, recapitulando a história desde o início, e a partir de amanhã, serão aqui publicadas isoladamente na «Irmandade do Éter» as primeiras 30 edições. * Rádio Ocidente; Antena Miróbriga; Rádio Voz do Entroncamento; Rádio Zero; Euradio Nantes. Algumas das edições são datadas, outras mantêm-se actuais. A primeira das primeiras 30 edições de «Linhas Cruzadas» foi dedicada a Brian Eno. quarta-feira, 18 de Novembro de 2009ÍNTIMA FRACÇÃO - EXPRESSO![]() A mais recente edição da ÍNTIMA FRACÇÃO já está publicada no site do ExpressoOnline. Trata-se de uma encomenda para o Congresso das Comunicações '09, que decorre no Centro de Congressos de Lisboa, 18 e 19 de Novembro. Música para "prosumers" é o título genérico, mas há muito mais do que música. A ÍNTIMA FRACÇÃO, tem, entretanto, um endereço online fixável : http://www.expresso.pt/if Bem vindos ! Entre o Caos e o Sonho![]() Entre o Caos e o Sonho (sempre!) Uma chamada de atenção para a mais recente publicação de «Miss Tapes» (edição nº 89): O destaque vai direitinho para a sequência do tema “Dream Baby Dream” dos Suicide em várias visões através do génio de Alan Vega (fã de Elvis Presley) e do mago Martin Rev, passando também por uma visão onírica de Bruce Springsteen (fã de Elvis e de Vega) numa prestação ao vivo e ainda de uma parceria de Vega com Alex Chilton (parceiro e artista contemporâneo de Vega). Mas esta pequena chamada de atenção é para algo maior: o tratamento que Hugo Pinto – autor único de «Miss Tapes» – faz destes sons e da multiplicidade em crescendo que deles resulta, ganhando uma superlativa dimensão. Não conta para aqui se o efeito alcançado foi ou não consciente, se foi mais ou menos forjado, ou se “apenas” se trata (muita atenção a estas aspas!) de uma feliz conjugação ocasional. Nada disso importa agora. O resultado é NOTÁVEL! E que bem que sabe ver (e ouvir!) Alan Vega ser tão bem tratado [coisa rara, como se sabe. Ele – Alan Vega – está habituado a ser menosprezado em todos os media, facto que só lhe dá maior força]. A primeira vez que Vega foi assim tão bem tratado por cá, e que me tenha apercebido, foi na «Íntima Fracção», ao longo do Outono/Inverno de 1988/1989, na sua derradeira temporada na RDP-Antena1. Ao tempo, através do celestial “I Surrender”. Principalmente no último ano na rádio pública, no ano de 1989. E agora na edição 89 (já não são coincidências a mais para serem só coincidências?) Hugo Pinto oferece-nos esta delícia. Não é por mero acaso que Francisco Amaral considera «Miss Tapes» a extensão mais evidente da «Íntima Fracção». Começo a acreditar. Keep your dreams, baby NOTA: A arte de Alan Vega & Martin Rev (os Suicide) também já teve tratamento justo e merecido na «Rádio Crítica». Ver: Além VEGA (18.Fevereiro.2008) Sábado à tarde em Coimbra - Os territórios indie e as suas fronteiras terça-feira, 17 de Novembro de 2009 |
Sobre nós
Desejam devolver à arte radiofónica (?)
a sua pureza e honestidade anteriores.
Independentemente do tema tratado,
torna-se essencial que a obra
transmita uma ideia autêntica,
fruto da individualidade do autor. Subscrever RSS - Feed # Autores (Contactos)
Francisco Amaral (Íntima Fracção)
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