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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Novas plataformas ou novas piratas ?

Nos anos 60 do século passado, perante os limites existentes impostos à Rádio, aconteceu um movimento que se tornou imparável - as rádios piratas. Longe de Portugal, sobretudo em torno das Ilhas Britânicas (em pleno auge da nova música pop) e da Holanda.

A lendária RADIO CAROLINE emitia (e produzia as emissões) a partir de um barco que se encontrava nas águas territoriais internacionais. A transmissão era em onda média, o que permitia que a escuta se fizesse em condições razoáveis (ou mesmo boas) naqueles Países e, mesmo longe, sobretudo à noite, também em Portugal. Foi o segundo fôlego da Rádio. A resistência à rádio cinzenta. O triunfo da estética radiofónica, muito depressa ampliado com o aparecimento do FM.

Os poderes instituídos, não obstante a enorme adesão do público a estas rádios, só descansaram com a sua aniquilação (destruição física da plataforma instalada no mar) e a assimilação de alguns DJs para a chamada Radio 1, no fundo controlada pelo poder, mas que prometia uma Caroline legal.

Nesta fase actual de grande depressão radiofónica (pelo menos nacional ... e não só), apetecia mesmo o regresso das piratas ou de um concentrar de esforços nas novas plataformas de distribuição não controlada.

O que está em causa, neste momento, são questões estéticas e de combate à rádio da imbecilidade. Sim, a democracia também o deve permitir. Porque motivo não posso eu "desmontar" a rádio estereotipada e acéfala ? Que razões há para não tentar encontrar saídas que estejam para além das asfixiantes playlists ? Para a falta de criatividade e invasão das ondas por vozes quase todas iguais, com comportamentos pré-definidos e estereotipados ?

Quando, nos anos 80, o movimentos das piratas portuguesas se tornou imparável, o poder lançou rapidamente uma forma de as neutralizar : legalizá-las ... em excesso. Centenas e centenas de rádios locais acabaram rapidamente por se destruírem mutuamente. Mesmo assim, num breve período do final de 1989, Cavaco Silva, então 1º ministro, culpou as rádios locais da derrota do seu partido nas eleições autárquicas. A reacção foi rápida. Eleições em Dezembro e em Janeiro eram imediatamente proibidas as cadeias de rádio que se haviam estabelecido como forma de sobrevivência - uma delas, a mais importante, a célebre Cadeia Nacional de Rádios liderada pela TSF.

A baixa do investimento publicitário na Rádio foi, no último ano, de 6,4%. As audiências estão em queda. A Rádio não morrerá, mas NÃO SERÁ NUNCA MAIS O QUE FOI.

HÁ UMA NOVA RÁDIO QUE ESPERA POR NÓS (ou que teremos de ser nós a fazer !).

I hear a new world ... calling me (Joe Meek)

Aqui em baixo, um vídeo sobre esses tempos heróicos da Radio Caroline.

5 comentários:

Hugo Pinto disse...

Belos tempos... Off-shore, hoje em dia, só esquemas lucrativos. Piratas, mas sem música.

Anónimo disse...

Presumo que quizesse escrever: "Foi o segundo fôlego da Rádio".

Francisco disse...

Exactamente ... fôlego. Ficou "folgo" ... e ninguém folgava naquela época. Obrigado !

Anónimo disse...

Já agora, presumo que o anónimo quisesse escrever "quisesse".

Francisco disse...

Estes erros ortográficos são sempre incómodos, mas mais incómodo é andarmos à procura dos erros dos outros ! Para muita gente, a escrita correcta era proveniente do automatismo da mão. Com o teclado há muito mais erros (mesmo com correctores). Um bocado de benevolência não seria mal vinda. Há imensas coisas importantes onde devemos ser implacáveis. Parece-me no entanto que perante essas situações há muita gente benevolente ... Isso é que não aprecio nada !