@ Phase 108.1

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Poeira Cósmica

Precisamente hoje, em que não sei a propósito de quê (teve que ser um disco), me lembrei do Fernando Magalhães, descobri que algém resgatou os seus textos das velhas páginas de jornal e do esquecimento. Foi através do Jugular que cheguei ao Poeira Cósmica.

Para quem não sabe, Fernando Magalhães escrevia como ninguém sobre música. Fê-lo no Público. Enciclopédico, inteligente, instintivo, com sentido de humor e com um gozo e paixão infinitos pela música, tratou todos os géneros de todos os tempos. Deixou saudades quando faleceu em 2005, aos 50 anos.

Aproveitem.

1 comentário:

Zito disse...

em 2003 FM falava assim dos Animal Collective (Spirit They're Gone Spirit They've Vanished), como diz o HP 'aproveitem' as palavras:


"As meninas e os meninos bem comportados, filhos de boas famílias, não vão ouvir, muito menos gostar, dos Animal Collective. Razão mais do que suficiente para você, leitor perverso e apreciador de músicas que amolgam o espírito, afixar a sua expressão mais inocente e dar a ouvir este disco ao seu amigo/a betinho/a que até gosta de pop. Porque de pop se trata. Avey Tare e Panda Bear viajaram de Baltimore para Nova Iorque para se dedicarem ao malabarismo musical. Inventam melodias em forma de serpente, atiram-nas ao ar, umas vezes apanham-nas, outras deixam-nas cair no chão para ficarem ainda mais deformadas. Depois pegam nelas e furam-nas e retorcem-nas até os olhos saltarem das órbitas. Nesta junção de "Spirits they're Gone/Spirits they've Vanished" e "Danse Manatee", respectivamente em 1999 e 2001, cabem os maiores desvarios. Eles falam em psicadelismo e a voz de Panda, a par de certas estruturas melódicas, sugerem, de facto, os Legendary Pink Dots, mas nada nos prepara para a alucinação que atravessa estes discos: electrónica animalesca, pianos ora clássicos ora em dissonâncias jazzísticas, "easy listening" para psicopatas, "noise" mutante e pop - sempre a pop... - a trocar-nos as voltas com melodias improváveis. "Danse...", mais abstracto, tem a densidade da música contemporânea e a originalidade de um futuro ainda por desembrulhar. Tudo o que pode ser experimentado entre uma visão de Syd Barrett e a cacofonia está aqui. O apocalipse da pop."