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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Stay HARD
















  



  

  

  

  É exactamente em New Jersey, onde a estrada de Kerouac se suspende temporariamente no final de On The Road, que tudo começa com Bruce Springsteen. E, num como outro, é, de igual modo, sob céus intermináveis que tudo se passa, por extensões de terra e estradas que cavalgam o horizonte, percorridas sem destino, eternamente em perseguição de sonhos sucessivamente encontrados e logo desfeitos, mas sempre incansavelmente procurados por entre os destroços de «qualquer coisa que há na noite». 
   Acompanhar os textos de Bruce Springsteen desde 1973 – ano de publicação do seu álbum de estreia Greetings From Asbury Park, New Jersey – até hoje (e seguindo apenas os textos, somente se experimenta uma parcela do cinemático fôlego narrativo com que cada canção de Springsteen é exuberantemente construída) é viajar num universo obsessivamente americano, possivelmente mais mítico ainda quando observado por olhos europeus. 

João Lisboa
In: «Estradas de Fogo», Março de 1986


Bruce Springsteen & The E Street Band – “Spirit In The Night
Ao vivo no Ahmanson Theater, em Los Angeles (1973):


  BRUCE Frederick Joseph SPRINGSTEEN nascido em Long Branch, New Jersey a 23-09-1949, é um fruto misturado de várias emigrações europeias para a América – a neerlandesa, a irlandesa, a italiana – talvez por isso, quem sabe?, encarna pelo seu discurso poético, melhor que qualquer outro astro de rock, a tenacidade, o esforço para vencer, o sofrimento amargo dos excluídos, e simultaneamente a esperança, o orgulho de ser americano, o sentimento de pertencer a uma pátria-lar dos bravos (Home of the brave) mesmo que isso não seja perceptível ao virar de cada esquina. Esta dureza generosa está esculpida no seu físico, sente-se na sua voz e no seu arrebatamento em palco (concertos maratona), transmite-se às inúmeras causas cívicas e sociais a que publicamente se associa. O modo como no seu canto quis preservar as próprias experiências e raízes (educação cristã católica) é raro e bom de se ver, independentemente de tudo o mais. Criado e lançado no circuito de bares da sua New Jersey natal, as primeiras obras retratam em pequenas historietas de rua as vivências adolescentes em Asbury Park (a localidade titula os seus primeiros álbuns). A sua música vogava então, e ainda voga, entre baladas, blues e um rock mais pesado muito «mainstream» mas bem carpinteirado (excelente a sua E STREET BAND), epidérmico e previsível mas intenso. Embora não seja a voz corrente, diríamos que na obra de SPRINGSTEEN a veia poética e a facilidade em criar imagens poderosas ultrapassa o interesse estritamente musical da obra. 

João de Menezes-Ferreira
In: «Estro in Watts – Poesia da Idade do Rock», Novembro de 2012


Bruce Springsteen & The E Street Band – “It's Hard To Be A Saint In The City
Ao vivo no Hammersmith Odeon, em Londres. O primeiro concerto de Springsteen fora da América (1975):

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