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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Are you talkin’ to me?
















Em cópia digital restaurada está em exibição, num cinema em Lisboa e noutro no Porto, o clássico «Taxi Driver» de Martin Scorsese.
A Banda-Sonora foi a derradeira do compositor Bernard Herrmann, que ficou mundialmente conhecido por ser o autor das inesquecíveis partituras de muitos filmes – os mais importantes – de Alfred Hitchcock.
Quando esta película estreou, em 1976, já Herrmann tinha morrido, por isso o realizador lhe dedicou esta obra-prima da então emergente corrente cinematográfica chamada Nova Hollywood.
A música do filme «Taxi Driver» é, como foi nos títulos mais relevantes de Hitchcock, uma personagem fisicamente invisível, mas com um papel decisivo na sequência narrativa. Sem a música de Bernard Herrmann, os filmes do mestre do suspence não valeriam nem metade, como alias se verificou aquando da separação profissional ocorrida entre ambos.
A melodia – ora fascinantemente tranquilizadora, ora drasticamente perturbante – de Herrmann em «Taxi Driver» transporta-nos na perfeição para o ambiente da cidade de Nova Iorque nos anos setenta, quando a Big Apple não era ainda a atracção turística que é hoje. As imagens de Scorsese e os sons de Hermann colocam-nos no centro da grande metrópole desumana e suja, perigosa, cansativa, incontrolável e socialmente decadente, que era no tempo exacto em que o filme foi rodado.
«Taxi Driver» foi o auge do marginalmente designado cinema ultra-realista norte-americano, que começou com «The Godfather I» (1972) e «The Godfather II» (1974) de Francis Ford Coppolla, passando por outros títulos como «Slither» (1973) de Howard Zieff, «Apocalypse Now» (1979) de Coppolla [este filme apenas parcialmente, nos dois primeiros terços da acção, até à cena da ponte nocturna), «The Driller Killer» (1979) de Abel Ferrara, «The Deer Hunter» (1978) e «Heaven´s Gate» (1980), ambos de Michael Cimino.
Uma estética artística única, levada à Sétima Arte, que não mais teve continuidade.

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