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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

UMA NOITE ACONTECEU









Uma chuva de estrelas abateu-se sobre o palco do Teatro Municipal da cidade italiana de Ferrara, na noite de 10 de Maio passado.
Uma histórica homenagem a Nico (1938 – 1988), a cantora alemã que ficou mundialmente conhecida através do grupo nova-iorquino Velvet Underground.
Sob a organização do ex-Velvet Underground John Cale, nomes como Peter Murphy, Lisa Gerrard e Mercury Rev juntaram-se num espectáculo único para homenagearem a voz que veio do frio, numa noite muito calorosa e clamorosa.
Sob o âmbito do festival «Sotto Estelle» [Sob as Estrelas] que decorre todos os anos em Ferrara.
Todos os anos no Verão, este Festival faz as delícias de qualquer melómano mais exigente. A galeria de notáveis que por lá já actuou não permite concluir outra coisa (Laurie Anderson; Lou Reed; John Cale; Ryuichi Sakamoto; Bob Dylan; Balanescu Quartet; Mychael Nyman; Maceo Parker; Patti Smith; Kronos Quartet; King Crimson; Sigur Rós; Philip Glass; David Byrne; Belle and Sebastien; Lambchop; Kraftwerk; Piano Magic; The Flaming Lips; Arcade Fire; Bright Eyes; Cat Power; Caetano Veloso; Yo La Tengo; Animal Collective; TV on The Radio; etc.).





















É incrível a diferença que se verifica entre os critérios artísticos escolhidos entre Portugal e um país como Itália. É tudo uma questão de bom senso, gosto apurado e sabedoria. Os festivais nacionais são deploráveis se os compararmos com o que de melhor se faz na Europa (só para citar o exemplo da “velha” Europa). Excepção feita ao «Festival Para Gente Sentada», em Santa Maria da Feira, mas que ainda não cresceu nem amadureceu o suficiente (O que é feito deste evento? Vai haver este ano?).
Multiplicam-se os chamados festivais de Verão, que a troco de um ou outro nome mais ou menos sonante, nos impingem uma carregada de outros tantos nomes, músicos e demais artistas de segunda e terceira categoria. Eventos massificados dirigidos a um público demasiadamente jovem, fracamente esclarecido e com pouco ou nenhum espírito crítico. O que conta é o convívio de manada, debaixo de más condições de recepção e péssimas condições logísticas, longe de qualquer ideia de qualidade.
Bastaria uma noite como esta de Ferrara (uma pequena cidade) para compensar os ruídos parafernais que todos os anos preenchem em letras gordas os cartazes estivais daqui.
No nosso país também há fãs profundamente conhecedores e grandes apreciadores das vidas artísticas de Nico e dos Velvet Underground, mas continuam remetidos a uma coisa que teoricamente é muito, mas que na prática – por estar afastada das diversas formas de poder – não é nada, e a que já chamaram de “Imensa Minoria”.
Seguem-se retratos de uma noite que aconteceu, mas uma noite que nunca aconteceu por cá:















John Cale & Lisa Gerrard

A LIFE ALONG THE BORDERLINE: A TRIBUTE TO NICO
JOHN CALE & BAND, PETER MURPHY, LISA GERRARD, MERCURY REV, MARK LANEGAN, MARK LINKOUS, SOAP & SKIN


Alinhamento do concerto e interpretes:

FROZEN WARNINGS – John Cale
MUTTERLEIN – Peter Murphy
MY HEART IS EMPTY – Soap & Skin
YOU FORGOT TO ANSWER – Mark Linkous
FALCONER – Lisa Gerrard
ROSES IN THE SNOW – Mark Lanegan
MY ONLY CHILD – Mercury Rev and John Cale
JANITOR OF LUNACY – Peter Murphy
TANANORE – Soap & Skin
ABSCHIED – Peter Murphy
AFRAID – Mark Linkous
NO ONE IS THERE – Lisa Gerrard
SIXTY FORTY – John Cale
WIN A FEW – Mark Lanegan
EVENING OF LIGHT – Mercury Ver
FACING THE WIND – John Cale
ALL THAT IS MY OWN – todos os artistas em palco
















All That is my Own Todos em palco na última canção da noite

John Cale Band:
Dustin Boyer – guitarra
Joseph Karnes – baixo, teclados
Nick Franglen – bateria
Michael Jerome Moore – percurssão
John Cale - voz, teclados (+ direcção artistica)

Quarteto de Cordas da Orquestra de Ferrara:
Gianluigi Cavallari - primeiro violino
Cristina Alberti – segundo violino
Florinda Ravagnani – viola de arco
Valentina Migliozzi – violoncelo

Escola de Música Moderna da Associação de Músicos de Ferrara:
Stefania Chiari, Elonora Mota, Viviana Corrieri, Rossella Graziani – vocais



Outro ponto de vista do mesmo momento a partir daqui

Your winding winds stood so
All that is my own
Where land and water meet
Where on my soul
I sit upon my bed
Your ways have led me to bleed

Every child will be able to weep
Every wise man spoke of him
Every keeper will be sleeper
And a guide to ways unsure

He who knows may pass on
The word unknown
And meet me on the desertshore
Meet me on the desertshore

He who knows may pass on
The word unknown
And meet me on the desertshore
Meet me on the desertshore
Meet me on the desertshore

He who knows may pass on the word I know
And meet me on the desertshore
Meet me on the desertshore

Your winding winds did sow
All that is my own
Where land and water meet
Where on my soul
I sit upon my bed
Your ways have led me to bleed

Mensagem para este novo ano:
Que a “crise” sócio-político-económica vigente não sirva mais para disfarçar a crise de ideias e de força de vontade, essa sim, a verdadeira crise que atravessa a humanidade nas sociedades ocidentais, de que nós, portugueses, fazemos parte integrante.

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