@ Phase 108.1

quinta-feira, 16 de julho de 2009

palavras, perguntas

no espaço de um ano li dois livros do (grande!) Dostoiévski. fugindo de trazer para aqui qualquer tipo de discussão literária ou filosófica sobre o tecido da sociedade russa do Séc. XIX, não queria deixar de sublinhar nestas linhas aquele que é, para mim, um dos alicerces de toda aquela estrutura narrativa: a excelência da palavra.
aqueles personagens (eram "outros tempos," claro) são, na sua maioria, bocas (almas) inquietas, insaciáveis, que se alimentam constantemente da troca de ideias e sentimentos, sempre temperados por longas conversas. ali há tempo para conversar, mas sobretudo existe “espaço” para que as ideias repousem, e amadureçam. o que liga as pessoas umas às outras, e a elas a história, são sempre as palavras.

isto a propósito dos “programas de palavra”, género radiofónico/televisivo muito na moda (é por fases, parece-me), criados a reboque do mais elementar apetite de ideias ou simplesmente, da curiosidade.
há dias, ao assistir a um destes programas de televisão, dei por mim a pensar que este formato difusor da palavra está cada vez mais... vazio. de conteúdo, de inteligência, mas também, de charme.
talvez seja o modo, não sei… mas nós não somos mais estúpidos hoje; somos?
há qualquer coisa de errado na maioria dos “programas de palavra”; é a estrutura dos próprios programas? são os intervenientes? são as próprias palavras?
o que é que falha?
será falta de vontade? ou de exigência?
ou serão estes, tão simplesmente, outros tempos?

1 comentário:

Anónimo disse...

concordo plenamente com a parte da televisão...ja n ha ponta por onde se lhe pegue na maioria dos canais...então nos públicos...sem comentários....
o motivo de td isto...n sei...talvez o comodismo...
comodismo de pensar n só por parte de quem esta por de trás dos "programas de palavras" mas também das pessoas que os assistem...deixaram de ser exigentes...com os programas...com os outros...com elas próprias...simplesmente s acomodaram a realidade do dia-a-dia...dá mt trabalho tomar uma atitude activa em relação as coisas...